Democracia. Palavra de língua diferente. Palavra para ressaltar aos mais celebradas virtudes, sinônimo de liberdade, educação e cultura. Palavra dos heróis, dos estadistas, dos salvadores da pátria. Palavra da elite, dos que crêem que podem fazer (quase) tudo... Nenhuma palavra foi mais falada, cantada, gritada e chorada nas últimas décadas em nosso Brasil, pois a democracia resume uma espécie de paraíso entre os homens; uma sociedade igualitária, fraterna, e para alegria dos pós-modernistas, plural. A democracia é bela, vibrante, um jardim florido celebrando o progresso humano na caminhada para uma sociedade justa. Porém, nem tudo são flores... As relações humanas são relações de poder. Nesse aspecto da sociedade reside não somente o poder para garantir a participação de todos, como igualmente o poder para garantir a participação de poucos. Para que estes poucos assim assumam, e continuem, no poder, não se faz necessário tirar de cena a democracia; é melhor reduzi-la ao interesses que lhe cabem: o voto. Uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens, e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.
Diante de tais fatos (e de outros) eu não poderia simplesmente seguir a procissão e tocar o sino. Em minha pequena caminhada política sempre procurei além do diálogo, o esclarecimento e a justiça. Quando falo nesta (a política), sinceramente não penso apenas em eleição e partido político; sim, há muito mais para fazer do que pedir votos.
Tal desejo para a política surgiu sem uma pretensão individual ou corporativa; o que quero, creio e luto é por um Brasil (realmente) democrático, sem as facetas de hoje; povo mais humano, mais igual, mais unido. Talvez alguém me pergunte: e as relações de poder? O poder deve surgir como oportunidade de transformar, conscientizar e servir. Minha estrutura gerada pela consciência do Evangelho de Cristo não me permite ter o poder pelo poder, viver com a vontade de mandar... Não sou nenhum herói e em minhas idéias não trago algo de tão novo ou tão perfeito; sou, como, muitos, apenas uma pessoa comum lutando por ideais comuns para que o que é bom, de boa fama e relevante seja para todos.
O leitor desse texto deve pensar: "Mais um convite para utopia de alguém fazendo política sentado." Viver em democracia é realmente algo bem distante do nosso cotidiano, contudo é preciso não parar de viver, de lutar, de fazer projeto (ao invés de sonhar sempre). Sim, eu acho que outro mundo é possível. Quanto a eu estar sentado, já estou caminhando... Alguém vem comigo?
"E que Deus dos céus nos dê agora, a beleza eterna que outra, nunca pensávamos achar..."
Léo Rodrigues